Candidaturas presidenciais
Já temos três candidatos a Presidente da República: Mário Soares, Jerónimo de Sousa e, agora, Francisco Louçã.
O nome indicado pelo BE não tinha alternativa. Mas, mais uma vez, ficou tudo invertido.
Uma candidatura presidencial é pessoal, não é partidária.
Porém, no PCP e no BE, tudo se passou ao contrário.
Os candidatos são claramente partidários e não são eles que se apresentam; são escolhidos pelo aparelho partidário.
É mau para o nosso sistema e para a democracia.
O BE não tinha alternativa quanto ao nome a indicar.
Nestas presidenciais, estamos a jogar dois campeonatos. O campeonato de quem será o próximo Presidente da República e o campeonato da esquerda, concretamente entre o PCP e o BE.
Os dois partidos continuam em competição directa e vão querer avaliar o seu peso comparativo nos resultados das presidenciais.
Logo, se o PCP apresenta o seu líder, o BE tinha que jogar do mesmo modo. Não havia outra solução.
Agora, importa analisar é se essas candidaturas são para levar até ao fim, para, realmente ir a votos.
E aqui, temos que ter em conta que estamos falar em eleições a duas voltas. E das duas uma.
Se o candidato do centro-direita não tiver possibilidade, face aos dados que forem correndo, de obter 50% dos votos na primeira volta e for com Mário Soares a uma segunda volta, os candidatos do PCP e do BE não desistem.
Isto é, vão a votos na primeira volta e depois declaram apoio a Soares na segunda volta. Marcaram a sua posição e depois contribuem, em bloco, para a tentativa da vitória do candidato mais à esquerda.
Se houver o risco do candidato do centro-direita poder ganhar à primeira volta, ou seja, ter mais de 50% da votação, aí sim, os candidatos do PCP e do BE desistem e apoiam Soares.
Mais uma vez, a palavra na política perderá o seu valor.
Mas, mais uma vez, contribuir-se-á para afastar as pessoas da política e aumentar a desconfiança na palavra dos políticos…

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