segunda-feira, setembro 05, 2005

Candidaturas presidenciais

Já temos três candidatos a Presidente da República: Mário Soares, Jerónimo de Sousa e, agora, Francisco Louçã.

O nome indicado pelo BE não tinha alternativa. Mas, mais uma vez, ficou tudo invertido.

Uma candidatura presidencial é pessoal, não é partidária.

Porém, no PCP e no BE, tudo se passou ao contrário.

Os candidatos são claramente partidários e não são eles que se apresentam; são escolhidos pelo aparelho partidário.

É mau para o nosso sistema e para a democracia.

O BE não tinha alternativa quanto ao nome a indicar.

Nestas presidenciais, estamos a jogar dois campeonatos. O campeonato de quem será o próximo Presidente da República e o campeonato da esquerda, concretamente entre o PCP e o BE.

Os dois partidos continuam em competição directa e vão querer avaliar o seu peso comparativo nos resultados das presidenciais.

Logo, se o PCP apresenta o seu líder, o BE tinha que jogar do mesmo modo. Não havia outra solução.

Agora, importa analisar é se essas candidaturas são para levar até ao fim, para, realmente ir a votos.

E aqui, temos que ter em conta que estamos falar em eleições a duas voltas. E das duas uma.

Se o candidato do centro-direita não tiver possibilidade, face aos dados que forem correndo, de obter 50% dos votos na primeira volta e for com Mário Soares a uma segunda volta, os candidatos do PCP e do BE não desistem.

Isto é, vão a votos na primeira volta e depois declaram apoio a Soares na segunda volta. Marcaram a sua posição e depois contribuem, em bloco, para a tentativa da vitória do candidato mais à esquerda.

Se houver o risco do candidato do centro-direita poder ganhar à primeira volta, ou seja, ter mais de 50% da votação, aí sim, os candidatos do PCP e do BE desistem e apoiam Soares.

Mais uma vez, a palavra na política perderá o seu valor.

Mas, mais uma vez, contribuir-se-á para afastar as pessoas da política e aumentar a desconfiança na palavra dos políticos…

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