AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS NO PAÍS

As eleições de ontem são, claramente, um acto eleitoral destinado ao poder local, mas, necessariamente, sem por em causa qualquer legitimidade governativa nacional, tem que merecer uma leitura global.
Praticamente, todos os partidos que estão no Governo e que tomam medidas fortes acabam por ser penalizados nas eleições autárquicas. E ontem isso não foi excepção. Não digo que a vitória do PSD teve na sua origem um mostrar de cartão amarelo ao executivo liderado por José Sócrates. Claro que não foi só isso. A vitória do PSD deveu-se, também, ao reconhecimento dos seus autarcas no mandato que agora termina e ao mérito dos programas submetidos a votação.
A vitória do PSD só não teve um impacto maior, porque é a segunda consecutiva em eleições autárquicas, vindo para este acto com uma fasquia extremamente elevada. Sozinho, o PSD tem mais 30 presidência de Câmara que o PS, tendo ainda que se somar a isso as presidências ganhas em coligação com o CDS e com outros partidos.
Por outro lado, o PSD, por definição política própria e risco assumido, acabou por deixar de juntar a essas autarquias aquelas em que os seus ex-presidentes concorreram em candidaturas independentes e ganharam.
Quanto às autarquias mais importantes ou relevantes o PSD garantiu a sua continuação, à excepção de Faro que perdeu para o PS. No entanto, acabou por ganhar mais duas capitais de distrito: Aveiro e Santarém.
Na Madeira, o PSD fez o pleno tendo ganho todas as Câmaras.
Genericamente, o PS acabou por manter o mesmo nível de votação de há quatro anos, perdendo mais três Câmaras no cômputo geral.
A CDU recuperou alguma expressão autárquica, quer perante os dois maiores partidos quer na afirmação para com o Bloco de Esquerda.
No total a CDU tem mais mandatos e mais quatro Câmaras que nas últimas eleições, tendo recuperado autarquias importantes como Barreiro, Marinha Grande e Sesimbra, para além da conquista de Peniche. Reforçou o número de mandatos para os três órgãos. Particularmente em Lisboa obteve bons resultados.
O BE, na minha opinião acabou por não ter uma votação tão esperada como se estaria à espera. Foi, claramente ultrapassado pela CDU, face às últimas eleições legislativas. Continua apenas com uma presidência de câmara.
Elegeu um vereador em Lisboa, sendo a quarta força partidária, mas não conseguiu idêntico objectivo no Porto.
Sobre o CDS há a dizer que perdeu a quase totalidade da sua expressão autárquica. È certo que participou em coligações que elegeram os Presidentes de Câmara, mas isoladamente, apenas mantém uma presidência. E, por ironia, a de Daniel Campelo.
O partido de Ribeiro e Castro diminuiu o número de autarcas em qualquer dos órgãos do poder local.
Por último, de salientar que, dos pequenos partidos, só o PND e o MPT tem representações em assembleias de freguesia.
Para as câmaras nenhum deles conseguiu qualquer representação, sendo que nas assembleias municipais, o PCTP/MRPP, o PPM e o PND obtiveram o mesmo feito.

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