segunda-feira, dezembro 12, 2005

MORADORES DO BAIRRO DO REGO EM LUTA

Movimento cívico reivindica painéis electrónicos nas paragens de autocarros e a alteração da carreira 31 Recolhidas 1600 assinaturas

Transportes públicos e estacionamento são problemas que a população quer ver resolvidos

A senhora da padaria, o empregado do talho, a funcionária da tabacaria e um grupo de reformados do Bairro do Rego uniram-se num movimento cívico para melhorar a qualidade de vida naquela zona lisboeta, pobre e envelhecida.
Depois de terem conseguido uma estação de correios e um centro de dia, os moradores reivindicam agora a instalação de painéis electrónicos nas paragens dos autocarros, a alteração do percurso da carreira 31 e uma paragem. Em 15 dias já recolheram 1600 assinaturas. De pastas debaixo do braço, os septuagenários Virgílio Pardal e Américo Saraiva calcorrearam, esta semana, a cidade para fazer chegar o abaixo-assinado ao presidente daCâmara, administração da Carris, responsáveis do Ministério das Obras Públicas, deputados da Assembleia Municipal e à Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima.
"Aqui no bairro só passa a carreira 31 que antigamente ia até ao Rossio. Entretanto, o percurso foi reduzido até aos Restauradores e agora termina na Praça de Espanha. Uma das nossas exigências é que o percurso volte a terminar nos Restauradores", contou Américo Saraiva. Para os moradores, "na maioria idosos e com graves dificuldades financeiras", o actual trajecto do 31 obriga os utentes a mudar de autocarro mais de uma vez até chegar ao destino. Além disso representa um aumento do custo da viagem para os que não têm passe, recordou Américo Saraiva. Do rol das reivindicações dos residentes, já habituados a estas lutas, consta ainda a instalação de painéis informativos em algumas das paragens. "Nunca sabemos a que horas vai chegar a carreira, porque basta um carro a impedir a circulação para ficarmos horas à espera. Muitas vezes acabamos por ir a pé", acrescentou Virgílio Pardal. Nos últimos anos, o bairro cresceu e recebeu novos habitantes graças à "transformação" de pequenas vivendas em altos edifícios e à construção de habitações municipais para realojar quem vivia em barracas. Com os novos moradores vieram também os automóveis que gradualmente foram ocupando parques de estacionamento, passeios e estradas, transformando o bairro num "verdadeiro pandemónio". Os moradores reivindicam ainda que a carreira 54, que liga o Campo Pequeno a Alfragide, faça uma paragem na Avenida das Forças Armadas, entre a Embaixada dos Estados Unidos da América e o Hotel Metropolitan, uma medida que facilitaria também a vida aos turistas.

Silvia Maia * Jornalista da agência Lusa
In Jornal de Notícias de 09.12.05
http://jn.sapo.pt/2005/12/09/grande_lisboa/moradores_luta.html

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