MANDATOS INTERROMPIDOS
Todos reconhecem que existe um afastamento da população em geral da classe política. Cada vez é mais difícil trazer para a política pessoas cujo mérito resulte apenas da sua actividade profissional e não meramente partidária.
E todos os políticos querem "moralizar" a política e transmitir a ideia de que se criam laços de aproximação e de confiança.
No entanto, também, todos se parecem esquecer das atitudes que tomam em detrimento dessa credibilização.
Uma das coisas que sempre critiquei, tal como a maioria dos portugueses, é a troca sistemática de lugares e as candidaturas "fantasmas".
Quando votamos numa determinada pessoa, votamos porque temos confiança nela, nas suas ideias, porque pretendemos que ela seja eleita para o cargo que estiver em causa.
Mas, lamentavelmente, o que assistimos é que alguns cabeças de lista apenas se candidatam para dar o nome e tentar ganhar votos com a sua suposta fama e depois, quando eleitos, ou não asssumem os lugares ou abandonam a meio caminho.
O eleitor nesta situação tem que se sentir defraudado e enganado.
E não são raros os casos daqueles que juram a pés juntos que vão aceitar o mandato a que concorrem e depois fazem, precisamente, o contrário.
Mais, pior que isso, é estar a exercer um mandato, sair ou candidatar-se a outro e, quando este acaba (ou nem chega a começar), voltar para o primeiro.
Veja-se o caso do Dr. Fernando Gomes. Era Presidente da Câmara do Porto, saiu para aceitar o cargo de Ministro. Quando foi demitido de ministro queria voltar para a autarquia. Foi severamente penalizado.
O próprio Presidente da República Jorge Sampaio, enquanto era Presidente da Câmara de Lisboa, concorreu a Primeiro Ministro. Como não ganhou, voltou para a Câmara. No mandato seguinte, concorre a Presidente da República. Como foi eleito, deixou Lisboa!
É esta a resposta que merecemos quando votamos em alguém? Acho que não.
Nas autárquicas em Lisboa, temos o caso do Eng.º Carmona. Já ninguém se lembra que ele deixou Lisboa para ir para o Governo? Quando perdeu esse lugar, por razões que todos conhecemos, volta para a Câmara. Será que se tivesse mantido em Ministro era agora candidato? Ou só é candidato a Lisboa, de forma residual?
Os eleitores devem ver isto e penalizar este comportamentos.
Devemos exigir dos nossos eleitos o cumprimento dos seus compromissos.

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home