As funções autárquicas e partidárias que desempenho, fizeram-me reflectir sobre a produção desta comunicação. No entanto, razões de cidadania, com responsabilidade acrescida, obrigam-me, mesmo a título pessoal, a pronunciar-me sobre a situação da cidade e da autarquia camarária. A esta razão acresce a constatação do sentimento generalizado dos lisboetas e as consequências nefastas a nível nacional e na ligação dos cidadãos à actividade política.
O PSD ganhou as eleições para a CML com base na alegada independência do Prof. Carmona Rodrigues e do ambicioso programa eleitoral que apresentou. Desde cedo que suspeitei que a posição assumida não passaria de uma fachada a tapar a fraqueza de um projecto inexequível e de uma equipa incapaz de gerir a cidade nos moldes em que prometeu.
Por isso, manifestei muitas reticências no entendimento estabelecido com o meu partido para a governação da Câmara. Felizmente para o CDS e para a Vereadora Nogueira Pinto que o acordo acabou e com a única responsabilidade imputável ao PSD, resultante das intromissões partidárias na gestão autárquica e em nomeações de competência municipal. Um exemplo da falta da tão apregoada independência de Carmona Rodrigues.
Era fácil de perceber que a maioria relativa não iria conseguir terminar, com sucesso, o seu mandato. Os escândalos, as confusões, as guerras internas, a falta de coordenação e o insucesso tem sido uma constante quase diária. A Carmona Rodrigues falta a liderança exigida a um Presidente da CML.
Não vale a pena insistir em cada uma das situações que são sobejamente conhecidas. O que importa e que verdadeiramente interesse aos lisboetas, é o futuro. A análise terá que ser efectuada a nível dos interesses dos cidadãos e não com base em interesses das estruturas partidárias.
O primeiro pressuposto a considerar é saber se esta Câmara tem condições para fazer cumprir o seu programa e satisfazer as necessidades da cidade e de cada um dos munícipes. Não tenho dúvidas de que, a curto prazo, não será capaz de o fazer. A CML não vai conseguir responder, de forma estrutural, às exigências que se colocam.
Aliás, conforme se pode constatar do último relatório trimestral apresentado pelo Presidente da CML, estamos perante uma mera gestão corrente. Não há projecto, não há articulação de ideias, não há uma visão de cidade. Permito-me salientar a postura incorrecta que o Senhor Presidente da Câmara assumiu na última Assembleia Municipal, num total desrespeito pela oposição.
Para somar a tudo isso, a credibilidade da autarquia desceu a um nível imprevisível. Os cidadãos não têm confiança na sua Câmara.
Chegados a este ponto, importa procurar o melhor para a cidade.
A solução de eleições intercalares é a via mais útil à cidade, desde que a Presidente da Assembleia Municipal coloque, também, o seu lugar à disposição. Não podemos esquecer que é responsável por uma das principais crises que afectou, de forma irremediável, o futuro da estabilidade governativa. Trata-se de uma equipa sufragada eleitoralmente que falhou no seu conjunto e não pode ser isolada.
Mas mesmo assim isso não basta.
Seguindo a tradição deixada por Nuno Krus Abecassis, teremos que encontrar um projecto de cidadania alternativa ao convencional apresentado pelos partidos. O descrédito dos cidadãos na política a isso obriga.
É essencial a preparação, de imediato, de um projecto credível para a cidade, uma vaga de fundo de responsabilidade, que atravesse a cidade civil e os partidos, com gente qualificada e provas dadas fora das carreiras partidárias e disponível para assumir um projecto para a cidade.
Um projecto que se debruce sobre os grandes e os pequenos problemas da cidade, desde a reabilitação urbana, aos espaços verdes, passando pela mobilidade, pela acção social e pela correcta gestão do espaço publico nas suas várias vertentes.
É esse o desafio que temos pela frente e o único que poderá repor a credibilidade e a confiança dos cidadãos na autarquia e na resolução dos seus problemas.
Como cidadão não deixarei de dar o meu contributo, o que começarei a fazer, no imediato.