Ontem assistimos ao debate mais esperado desta campanha para as eleições presidenciais.
Não houve surpresas.
Mário Soares manteve a sua postura de ataque ao seu adversário. Num registo extremamente agressivo, o candidato apoiado pelo Partido Socialista não se conteve, sobre tudo e a todo o momento, a criticar de uma forma persistente Cavaco Silva.
O estilo de Soares foi, para mim, agressivo de mais. Mas, para a estratégia da sua campanha era, se calhar, o único possível de modo a tentar forçar uma segunda volta.
Não aprecio a forma como Soares tratou Cavaco por "ele" e foi extremamente desilegante ao referir-se a comentários que outros chefes de Estado e de governo lhe haviam feito sobre as prestações do então primeiro ministro nos conselhos euroepeus.
Cavaco fez tudo para se conter, chegando mesmo a afirmar que estava a fazer um esforço para tal. A sua postura foi quase irrepreensível não entrando na forma de debate pretendida por Soares.
O debate viveu alguns momentos rídiculos, nomeadamente, quando os candidatos se referiam a quem tinha mais livros escritos ou quem tinha participado em mais conselhos europeus.
Por culpa de Soares não se conseguiu debater alguns temas importantes para o futuro desempenho do cargo presidencial.
Todo o debate ficou condicionado pelas ideias de Cavaco Silva, sendo o próprio Mário Soares em todas as suas intervenções se limitou a referencia-lo, esquecendo-se de dizer ao país qual a sua visão para o futuro.
Portugal precisa de uma afirmação positiva e não de uma crítica constante e infundada.
Parabéns Prof. Cavaco Silva pela forma como não se deixou arrastar pelo estilo de discussão pretendida pelo Dr. Soares.